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28 de out de 2013

Livro: Morte Súbida

Como escrever sobre um livro que não sei o que pensar? Um livro que foi um massacre lê-lo por completo, mas entendi a proposta e vi muito da Rowling em suas páginas.


Morte Súbita mostra, dentro de uma sociedade do interior, intrigas existentes nas grandes cidades, nas grandes famílias, dentro dos bairros, nas cidades do interior.
As fofocas, a superioridade natural que algumas pessoas pensam que possuem, a novidade, a sede de poder, os segredos que escondemos de nós mesmos.
Reclamei com amigos que não gosto de livro sem protagonista. No caso desse livro, a protagonista é a cidade, o que torna tudo muito confuso. Personagens possuem mais de um nome (o nome real, o apelido dado pela família e o apelido pejorativo). Até você entender tudo isso, a cabeça vai dando um nó.
Como sempre acontece quando há vários personagens na história, sempre existe aquele que você se identifica, se relaciona de alguma forma. Barry, o morto, virou um anjo por estar morto. E para nos mostrar isso, a autora mata outros personagens no final, em um trágico evento, uma situação de causa e consequência.
J.K. tem uma visão quase sociopata de Pagford, sem emoções. Descreve fatos, mesmo quando se refere ao amor, ciúme, ódio, inveja... 
Os personagens trepam, chupam, fumam... Palavras e expressões que usei muito na minha adolescência como forma de revolta e agora mostradas cruas e diretas no texto. Me espantei com cada uma delas, como se fosse errado lê-las em um texto da Rowling. Me espantei, mas entendi. Ela queria quebrar com o mundo mágico, e assim o fez.
Desenvolveu uma visão crua, em alguns pontos até cruel do mundo, mas nem por isso menos verdadeira. A morte nos torna anjos. E qual a consequência de uma morte? Como cada um reage a mesma? Alguns choram, sofrem, outros fogem das maneiras mais diferentes e ainda há aqueles que não se abalam, que se aproveitam... Mas eventualmente todos seguem em frente. Porque afinal, a outra opção é ir junto, é morrer também. E para quem fica, as consequências.
É... o mundo é assim. Não é porque deu certo para uma pessoa que dará para outra.
A busca por autenticidade de Bola criou o personagem mais falso, incapaz de sentir, de falar o que está vivendo.
Krystal é uma menina que sofre simplesmente por ter nascido. Um erro que nunca foi capaz de reparar. Sem culpa, sofria e ninguém entendia. Acabou virando a culpada.
Andrew, apesar de todos os pesares, é um fofo. A vida dele não é mais fácil que a de ninguém, mas mesmo com tudo o que passa continua sendo doce, se apaixonando e tentando passar pela adolescência sem grandes traumas.
Sukhvinder só queria que alguém a escutasse. E foi preciso que viesse uma menina de Londres para isso acontecesse. Na cidade, ninguém percebia.
Cada personagem com o seu segredo, com a sua história.
Cada ação, uma reação.
Sem começo nem final, Morte Súbita é um meio. É uma reação a uma morte. E acaba quando outra acontece.
É simplesmente a vida. Vista sem os óculos da magia.

Essa música que combina com esse livro, apesar de tudo.

Um comentário:

  1. Olha aí um livro que já quero ler a um tempo, mas nunca o fiz. Sempre vejo opiniões muito controversas, isso me afasta um pouco da vontade de ler.
    Assim sendo, acho que vou ler "O Chamado do Cuco" primeiro, depois me aventuro por esse. ;D
    Beijos
    Cooltural

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