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21 de fev de 2013

[Trabalho da ECO] Caso TED: uma nova forma de consumir educação


Resumo: Este artigo visa apresentar um breve estudo sobre o evento TED, atualmente internacionalizado através do meio digital, e relacioná-lo com as formas de consumir e produzir conhecimento hoje já difundido e aceito em nosso meio. Utilizam-se os conceitos de capital cultural e social, além do termo inteligência coletiva e “think tanks” para justificar o crescimento exponencial da relevância deste no meio organizacional, mostrando o que é o evento através de algumas palestras que ganharam destaque na web.

Palavras Chaves: sociedade do conhecimento, Think Tanks, Inteligência Coletiva, Digital, capital cultural, capital social, capital intelectual.

Introdução:
Desde a revolução industrial e com o avanço no desenvolvimento das tecnologias, o trabalho físico está sendo quase completamente substituído pela máquina. Desde a revolução digital, muito do trabalho exato é feito pelo computador, o que gera como consequência mais tempo livre para o ser humano pensar e ser criativo. É apenas a criatividade, a capacidade de entender as referencias para se compreender as formas de propagação do conhecimento (capital cultural) e o potencial de interação entre os indivíduos (capital social)1 que torna o ser humano insubstituível. Por causa dessas alterações no nosso corpo social, passamos a viver o que muitos autores chamam de “sociedade do conhecimento”, ou seja, pensar de uma forma diferente, ser autêntico, é uma quase uma obrigação para fazer parte da coletividade.
Rogério da Costa, professor de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, defende em seu artigo “Inteligência Coletiva: comunicação, capitalismo cognitivo e micropolítica” que hoje o sistema político-econômico é o neocapitalismo, um modelo que inclui o capital humano e cultural. Nossa economia atual vive de uma relação estreita entre o sistema produtivo e financeiro e o capital social. Dessa forma se torna necessário a criação de organizações que potencializem a troca de informação entre os indivíduos e assim mantenham a economia mundial em desenvolvimento.
O termo “Think Tanks”, traduzido ao português como “Usinas de Ideias”, são justamente “instituições ou associações que atuam produzindo e difundindo conhecimentos em assuntos estratégicos, visando influenciar transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_de_ideias), ou seja, são espaços de discussão. Apesar de parecer inovador, o termo já existe desde a década de 50 e instituições que seguem esse modelo datam desde o séc. XIX. No entanto, o que existia antes era em um nível político militar e apenas na década de 90, quando os estudos sobre capital social se consolidaram que as empresas começaram a perceber a necessidade de se investir no capital intelectual, de realizar uma análise sobre a gestão do conhecimento e estimular a troca de ideias2, e estas acabaram por incorporar os “think tanks” em suas filosofias empresariais.
Ainda dentro da ideia de unir as pessoas de forma a potencializar a capacidade intelectual da sociedade existe o conceito de “inteligência coletiva”, criado por Pierre Levy em seu livro “A Inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço” onde definiu a mesma como “uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuos das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas. Uma inteligência distribuída por toda parte: tal é o nosso axioma inicial. Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade”10. E o que hoje em dia torna possível que exista de fato uma inteligência coletiva, interdependente, interativa e colaborativa é a internet, uma rede invisível que cada vez está mais presente no dia a dia dos indivíduos e permite que qualquer pessoa compartilhe sua ideia e que, quando parte de um conjunto maior, pode formar algo memorável e capaz de mudar a sociedade.

O TED
A sigla TED significa “Technology, Entertainment, Design” que em português significa “Tecnologia, Entretenimento e Design”. É uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é espalhar ideias, ou seja, a organização como é hoje, internacionalizada com os “TED talks” disponíveis no site http://www.ted.com/, a possibilidade de discussões na aba “TED Conversations” além dos próprios eventos, que são uma oportunidade de interagir com outros indivíduos, acaba tornando o TED, como um todo, em um dos maiores “Think Tanks” mundiais. Toda a proposta do evento, desde a sua concepção até os dias atuais, considerando todo o desenvolvimento que aconteceu ao longo dos anos, gira em torno da missão “Espalhar ideias” e divulgar aquelas que mais chamam atenção, premiar e tornar possível às que podem mudar a sociedade.
O evento surgiu em 1984, mas mesmo com grandes palestrantes em sua programação, o mundo organizacional ainda não estava pronto para absorver e entender a importância do mesmo, e sendo assim, este não funcionou, não lucrou. Foram necessários mais seis anos de espera, e só em 1990, quando as organizações começaram a perceber a importância do capital social e intelectual, que o TED voltou a acontecer, e desta vez obteve lucro tornando possível a sua continuidade regular. Juntando pessoas influentes de diferentes áreas de conhecimento, tanto para falar quanto para assistir as palestras, o evento conseguiu criar seu diferencial e começar a realizar a sua missão de espalhar ideias.
Nessa primeira década de existência, o TED não utilizou verba para publicidade nem assessoria de imprensa. Foi ganhando relevância devido à qualidade de suas palestras e convidando as pessoas certas, pois o evento funcionava como um segredo, acessível apenas aos melhores dentro de sua área de conhecimento. Logo no começo os criadores do evento já perceberam que expandir as competências tanto dos palestrantes quanto dos atendentes seria interessante e daria uma nova perspectiva ao projeto, sendo assim, pessoas fora do ‘trio’ tecnologia, entretenimento e design, foram convidadas a participar. Dessa forma, a plateia do evento rapidamente passou a incluir cientistas das mais diversos campos, músicos, líderes religiosos e outros. O evento nunca se importou com a idade de seus participantes, tendo casos de adolescentes, como a pianista Jennifer Lin, de 14 anos, que surpreendeu a audiência ao improvisar durante 6 minutos de sua apresentação.
Com o passar do tempo e a expansão significativa da marca, pois ‘TED’, cada vez mais, se torna mais relevante no cenário mundial, aconteceu à popularização. Mas ainda hoje, para participar de um evento TED, é necessário justificar seu interesse de ir, preencher um formulário e mostrar para a organização que você “merece” atender. Essa mudança na direção do evento, o tornando mais acessível a todos que tenham interesse, começou no ano de 2000, quando os dois idealizadores, Chris Anderson e Wurman, se encontraram para decidir o futuro da conferencia. O primeiro, através de sua fundação, adquiriu os direitos da marca TED e até atualmente é o curador da mesma, enquanto o segundo, já mais idoso, decidiu se aposentar. E foi nessa mudança de direção que o TED se tornou o espaço mundial de discussão e difusão de ideias que é hoje.
O evento manteve seu padrão de qualidade, muito forte até hoje, mas continuou a crescer com o conteúdo das palestras, expandindo e abrindo espaço para as mais diversas esferas de conhecimento. Pela primeira vez, o evento aconteceu fora dos EUA, pois o desejo de criar um verdadeiro impacto global era grande. E assim, foi criado o “TED Global”, uma conferencia que atualmente ocorre no Reino Unido, e o “TED Prize”, um concurso cujo ganhador conquista recursos tanto financeiros quanto tecnológicos para tirar a sua ideia do papel.
Ainda com o objetivo de expandir o evento e tornar acessível a qualquer pessoa interessada, as palestras começaram a ser disponibilizadas na web, primeiro em um canal do site “youtube”, mas com a relevância adquirida e o objetivo de ser maior, em 2007 surgiu o website do ‘TED Talk’. Foi criado também um projeto de tradução aberta, para que pessoas e países que não falam o idioma inglês pudessem participar e entender as conversas.
Mas a ideia globalizada começou a perder força em 2009, quando surgiu o primeiro TEDx, ou seja, o mesmo formato já estabelecido, mas organizado de forma independente e com um foco específico. Essa quebra se fez necessária para a contínua expansão, porém ao mesmo tempo, a missão de espalhar ideias começa a ficar restrita aos lugares de origem. Estes passam a se tornar uma forma de resolver problemas específicos, de gerar conhecimento dentro de uma área geográfica. Ao mesmo tempo em que permite uma participação de um público maior, até pelo fato de haver mais palestras, os TEDx é contraditório pois acaba por tornar suas palestras em algo exclusivo da região de origem.
Apesar de TEDx ter se tornado local, e cada vez mais possuírem evento muito específicos, como aconteceu aqui na cidade do Rio de Janeiro o TEDx UFRJ, dentro da cidade universitária, abrindo um espaço para professores, alunos e ex alunos se encontrarem e divulgarem suas pesquisas e descobertas ao longo dos anos. O tema do evento foi “encontros” justamente porque a UFRJ é uma universidade grande, com campus espalhados e pessoas de áreas diferentes, cujos pensamentos poderiam se complementar para criar algo inovador, acabam nunca se conhecendo. E esse evento abriu esse espaço.
Mas para utilizar a marca é preciso pedir permissão no site, onde há um manual com instruções de como criar a identidade visual, como escolher e convidar os participantes, inclusive direciona os novos organizadores sobre como entrar em contato com as empresas para pedir patrocínio, havendo inclusive um e-mail padrão a ser enviado e uma apresentação. A fundação Chris Anderson, atualmente detentora da marca “TED” faz questão de fornecer o apoio necessário para que os eventos TEDx tenham, dentro do possível, não só o formato já consagrado de palestras curtas (de no máximo 18 minutos) e espaços para discussão entre os participantes (não só os palestrantes, mas os atendentes também), como também a qualidade das conversas. Os participantes devem ser pessoas que de alguma forma fizeram a diferença na sociedade, que possuem uma ideia que pode de fato melhorar aquele local.
Assim, qualquer marca que se interessar em patrocinar um evento TEDx, é possível. No site do TED 2013, já com o tema (“The Young, The Wise, The Undiscovered” – O jovem, o sábio, o não descoberto) existe uma pagina de “Sponsors” (patrocinadores) que possui 42 marcas, entre elas a Coca-Cola, a Disney, a Shell, a Gucci, o CitiBank, o Google e etc., ou seja, tanto marcas ligadas diretamente com a tecnologia quanto marcas de moda e do setor financeiro, querem fazer parte desse evento, querem ter seu nome conectado com uma marca já definida por ser o futuro, por pensar, por ajudar a desenvolver uma inteligência coletiva, por permitir a troca de informações entre as pessoas.
E muitas dessas empresas utilizam o espaço do TED para mostrar ao mundo suas últimas descobertas, seus próximos lançamentos no campo da tecnologia, do design e do entretenimento. Muitos artistas, convidados por terem se diferenciado de alguma forma, normalmente através da tecnologia, utilizam o espaço para divulgar sua arte, como o maestro Eric Whitacre que montou um coral virtual com 2000 vozes. Pessoas que nunca se viram pessoalmente, mas tiraram parte do seu tempo para gravar, em sua casa ou seu espaço, uma linha da partitura divulgada pelo maestro em seu website e depois enviaram para o mesmo, que com a ajuda de editor, criou o maior coral virtual. Na sua palestra do TED, em março 2011, Eric utilizou seu espaço para mostrar um novo vídeo, que ainda estava sendo editado, e por isso tinha apenas alguns minutos, mas já foi o suficiente para demonstrar como o a internet pode ser usada para coisas grandiosas, desde a criação de um coral virtual de música clássica até a disponibilização de uma série de palestras que levam as pessoas a pensarem, e até quem sabe mudarem suas atitudes.

Considerações Finais

O TED surgiu e faz sucesso porque vivemos em uma sociedade do conhecimento. Caso contrário, este jamais teria as proporções que tem hoje. E o evento continua a crescer, abrindo recentemente uma plataforma para auxiliar na sala de aula, que serve tanto para conectar professores com suas lições a animadores digitais, ou seja, é uma ferramenta que possibilita a transformação de uma matéria em vídeo animado. Nesta ainda é possível criar perguntas abertas e de múltipla escolha, dividir com seus alunos e controlar como estes estão se saindo. É mais uma prova de que na nossa sociedade existe um ideal de que todo o conhecimento estará disponível para quem se interessar pelo mesmo.
Além disso, o TED é uma forma de potencializar o capital humano, cultural e social que existe em todos nós. No momento em que as pessoas se disponibilizam a responder os tópicos do “TED Conversations” com verdadeiros trabalhos acadêmicos, trocam conhecimento durante os eventos e após, através das redes sociais e comentários nos vídeos. De uma forma coletiva, são escolhidas as melhores ideias que terão um investimento para serem realizadas. A interação social acontece além das barreiras geográficas.
E se o TED é um espaço para pensar, discutir ideias e definir para onde estamos indo, tem um objetivo de alterar a sociedade de uma maneira positiva, então pela definição do termo pode ser considerado um dos maiores “Think Tanks” atuais. Muitos dos encontros não acontecem pessoalmente, mas virtualmente. E com isso cria-se uma rede de inteligência coletiva que vai além das marcas presentes, além da marca ‘TED’.

Referencias Bibliográficas:
1 – DA COSTA, Rogério “A Inteligência Coletiva: cartografando as redes sociais no ciberespaço” disponível em http://br.monografias.com/trabalhos/inteligencia-coletiva-redes-sociais-ciberespaco/inteligencia-coletiva-redes-sociais-ciberespaco.shtml

2 – DA COSTA, Rogério “Inteligência coletiva: comunicação, capitalismo cognitivo e micropolítica”, Revista FAMECOS - Porto Alegre - nº 37 - dezembro de 2008

3 – DA COSTA, Rogério “Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais, inteligência coletiva”, Interface - Comunic., Saúde, Educ., v.9, n.17, p.235-48, mar/ago 2005

4 – WEAVER, R. Kent “The Changing World of Think Tanks”, The Brookings Institutions, Setembro 1989

5 – LUCCI, Elian Alabi “A Era pós-industrial, a sociedade do conhecimento e a educação para o pensar”, Editora Saraiva, disponível em http://www.hottopos.com/vidlib7/e2.htm

6 – Artigo “Usina de Ideias” disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_de_ideias

7 – STONE, Diane “Think Tanks and Policy Advice in Countries in Transition”, Asian Development Bank Institute Symposium: “How to Strengthen Policy-Oriented Research and Training in Viet Nam”, Agosto 2005. Disponível em  http://www.adbi.org/discussion-paper/2005/09/09/1356.think.tanks/think.tanks.definitions.development.and.diversification/

8 – GROSSO, Kerley Soares de Souza Grosso “Sociedade do conhecimento: Uma sociedade sem fronteiras”disponível em http://pt.shvoong.com/internet-and-technologies/1813704-sociedade-conhecimento-uma-sociedade-sem/

9 – SQUIRRA, S. “Sociedade do Conhecimento” In MARQUES DE MELO, J. M.; SATHLER,L. Direitos à Comunicação na Sociedade da Informação. São Bernardo do Campo, SP: Umesp, 2005; disponível em http://www.lucianosathler.pro.br/site/images/conteudo/livros/direito_a_comunicacao/254-265_sociedade_conhecimento_squirra.pdf

10 – LEVY, Pierre “A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço” Edições Loyola. 2ª edição: fevereiro de 1999. Também disponível em espanhol em: http://inteligenciacolectiva.bvsalud.org/public/documents/pdf/es/inteligenciaColectiva.pdf

11 – Artigo Inteligência Coletiva disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_coletiva

12 – Todas as informações sobre o TED foram obtidas no próprio site do evento:

13 – SHIRKY, Clay “A Cultura da Participação”, Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2011

16 de fev de 2013

Livro: Alma?

Falaram-me na editora que íamos lançar esse livro, cujo gênero é conhecido por “steampunk” e eu nunca tinha ouvido falar. Li a sinopse e achei um samba do crioulo doido. Vampiros + lobisomens +Inglaterra no séc XIX + monarquia absolutista e para completar, a protagonista é uma pessoa sem alma. Tudo bem diferente, mas ainda no primeiro capítulo, me apaixonei!
Alexia Tarabotti já se tornou uma das minhas personagens preferidas e não vejo a hora de pegar o 2º livro para ler! Alexia é uma mulher forte, temperamental, sem medo de falar o que pensa e consciente de si mesma. Sua beleza é fora do padrão da época, e por isso, aos 26 anos, continua solteira. Para piorar tudo, ela é uma “preternatural”, ou seja, nem natural  (como nós, humanos); nem sobrenatural (como os lobisomens e os vampiros). E por não ter alma, quando toca um ser sobrenatural ele “volta” a condição de humano, e perde o seu poder sobrenatural.  Nesse período, inclusive se torna mortal. Mas essa volta a humanidade acontece apenas pelo período do toque. Assim que o contato se perde, a condição sobrenatural volta.
E como representante dos lobisomens, temos o Alfa Conde Maccon, lindo e maravilhoso. O lobisomem quase perfeito que vive um amor a lá “megera domada” com a nossa protagonista. Achei que fosse enrolar mais para as coisas acontecerem, mas até que as cenas picantes acontecem relativamente rápido.
Como principal representante dos vampiros, temos o Lorde Akaldame, meio que representando a classe gay também. Um vampiro sem colmeia, já burro velho e por isso bastante poderoso. Treina seus “zeladores” (humanos que tem uma relação sexual e amorosa com os seres sobrenaturais e, no caso dos vampiros, também servem como alimento) para que eles possam se infiltrar pela sociedade e descobrir tudo o que está acontecendo. Informação já era poder desde aquela época, pelo menos nessa história.
No livro, a alma é tratada como ciência, e investigada como tal. Um grande mistério está acontecendo pois vampiros e lobisomens sem colmeia ou alcateia estão sumindo e novos estão surgindo sem conhecimento necessário da sociedade. É um grande mistério.
**Spoiler abaixo**
Os lobisomens e vampiros estão sendo mantidos em cativeiros e sendo realizados experimentos com eles. Tirados seu sangue, e colocado em ‘humanos cobaia’ para analisar e descobrir como acontece a transformação, porque algumas pessoas sobrevivem a mesma e outras não. São experiências hediondas, que olhadas a fundo, acabam lembrando partes da nossa história. Holocausto está ai. Quantas pessoas não foram analisadas, torturadas e mortas em nome da ciência? Se eles são vampiros, lobisomens, judeus, homossexuais ou ciganos, qual a diferença na verdade? O livro tem esse fundo de crítica à ciência e aos experimentos. Até que ponto é permitido torturar as pessoas em nome do conhecimento?
Enfim, o livro é lindo. Fiquei completamente apaixonada. Quero nomear minha filha de Alexia em homenagem a essa personagem gostosa demais de ler.  Recomendo a todos que deem uma chance e leiam o livro. Mesmo parecendo doido no começo, é delicioso!

13 de fev de 2013

Aleatório: Um conto de quase amor


Ela tinha 12 anos quando eles se conheceram. Não foi amor à primeira vista porque ainda era pequena, não tinha essas coisas no coração. Mas ele, já mais velho e paciente, entendeu a cabeça dela, e aos poucos ficaram amigos. Com as conversas francas e brincadeiras típicas de férias em cidade do interior, em pouco tempo ela percebeu que gostava dele.
Nunca nem tinha beijado, e queria aquela experiência com ele. Ele nunca quis. Ela nunca entendeu por que. Ela esperou e esperou. A vida seguiu. Ela foi crescendo. Os encontros nas férias foram ficando mais difíceis de acontecer. Ela desistiu de esperar.
A vida normal, longe das férias e da cidade do interior, continuou e o beijo aconteceu com outra pessoa. Ninguém importante. Nada como poderia ter sido. Apenas um beijo para dizer que aconteceu. Ela queria que fosse especial, mas desistiu de esperar. Chegou a pensar que ele não queria porque ela não tinha experiência. Ela conseguiu experiência. Nunca aconteceu.
A menina, que nunca se achou bonita, sempre achou que nada aconteceu por culpa dela. Chegou a pensar que ela não merecia. Mudou o corpo. Tornou-se o padrão de beleza, elogiada por muitos, até mesmo por ele. Mas quando pensava que ia acontecer, não acontecia com desculpas sem sentido.
Situações surgiram, e muitas ela não foi adiante, sempre esperando por ele. Nunca quis outro, ainda mais na cidade das férias. Sempre esperava por ele. Ainda espera mesmo sem querer.
Eles voltaram a se encontrar. A vida continuava passando. Ela cresceu. Mudou de colégio, passou no vestibular, aprendeu a dirigir. Mais de 10 anos se passaram. E ainda assim, sempre que o encontra se sente como a menina de 13 anos que de repente se encontra apaixonada pelo bobo da corte, pelo melhor amigo.
Chega a ser engraçado quando o vê. A menina que já é mulher. Quase independente, quase se formando, tem um plano para vida. Ele, de uma realidade diferente, já trabalha há algum tempo. Ele não pensa em faculdade, vive do pouco. São vidas diferentes, vidas incompatíveis. E mesmo sabendo que eles não ficariam juntos mais que uma noite, ela ainda o espera.
E quando o vê sente-se insegura. Acha errado já estar dirigindo, esquece-se de tudo no mundo fora da cidade pequena. Sente-se insegura, volta a ser a criança ainda sem lugar no mundo. Mas no fundo sabe que nada vai acontecer. Infelizmente.
E agora, tudo acabou mesmo. Qualquer mínima chance se esgotou. A razão de a menina ir à cidade de férias acabou, foi-se embora. E o que poderia ter sido, ficará nesse tempo verbal.
Nada nunca irá acontecer, porque o menino não quis e a menina não soube falar que queria. E o pior é parar e perceber que eu ainda estou esperando.

6 de fev de 2013

Livro: As Bem Resolvidas (?)

Mais um para a série brasileira: uma ideia boa, mal escrita e mal trabalhada.

Resolvi ler esse livro quando, em um grupo do Clube do Livro, me recomendaram. Tinha falado lá que sinto falta de Chick-Lit no mercado brasileiro, e me indicaram esse.
Já começo deixando claro que para ser Chick-Lit a protagonista já tem que ter passado dos 25 anos. Senão, é romance, infanto juvenil... qualquer coisa, menos Chick-Lit. Sendo assim, esse livro não pode ser encaixado nesse gênero. Gossip Girl é literatura infanto juvenil, talvez jovem adulto se forçar um pouquinho, mas JAMAIS será Chick-lit, apesar de algumas pessoas considerarem, e até terem criado o "sub-gênero" "Teen-Lit". (Medo dessas pessoas)
Mas independente do gênero desse livro, o fato é que foi escrito por um homem, brasileiro, com 3 protagonistas mulheres de 17 anos e com o público alvo claramente meninas de... sei lá... 10 anos?
A ideia desse autor foi fazer um Gossip Girl no Rio de Janeiro. A história de 3 meninas filhas da elite carioca, que estudam no melhor colégio da cidade, vão de motorista para todos os lugares, tem entrada vip em todos os eventos master e etc. Até ai muito legal. E se elas tivessem 13 anos, no máximo, na história, eu aceitaria e acharia até engraçadinha. Mas ele colocou as protagonistas com 17 anos, e não parou para pensar, que com essa idade, você já está se formando no Ensino Médio e já está pensando no que fazer da vida (seguir os passos dos pais ou encontrar seu próprio caminho?). Quando se tem 17 anos, cada vez mais, as meninas já discutiram sexo, já fizeram ou estão pensando em fazer. Querem um namorado para mais que segurar a mão. Nessa idade, sendo elite e tendo tudo na mão, com certeza você já experimentou alguma droga, já tomou muito mais que champanhe, já entrou em todas as boates de classe A da cidade, já viajou para fora... enfim, já fez muita coisa. Com 17 anos, quando você quer se vingar de uma pessoa, você dorme com o namorado dela, ou faz ela revelar um segredo gigante na frente de todo mundo.
Depois dos 15, ou mesmo antes disso, você NÃO joga papel higiênico molhado na "inimiga" em frente a escola. E sendo elite e sendo Brasil, com certeza não vai parar na delegacia. Com essa idade, não importa o seu passado, você não vai para uma festa com a sua mãe a tiracolo, ainda mais sendo um menino.
E essas coisas acontecem no livro. Isso o tornou tão irreal, tão fora da realidade, que tirou toda a graça da história.
Me pareceu que o autor perdeu muito tempo pesquisando os nomes das ruas, os lugares que os ricos e famosos vão no Rio, que esqueceu de perceber o que realmente sente uma menina de 17 anos. Ele, obviamente, nunca foi uma, e pelo visto, não conhece nenhuma também. 
Ele colocou um namorado para uma das meninas completamente nada a ver com nada, falando "tu" tudo errado, e simplesmente fora do normal. As protagonistas são santas e a antagonista, apenas uma menina procurando seu lugar no meio dos "ricos de berço", já que esta é filha de pais que enriqueceram, e sendo assim, não tem a 'educação de casa' tão valorizada nesses círculos.
O que foi a situação ridícula da professora indo dançar funk na casa da aluna? Tudo bem que já soube de caso da professora começar a namorar a menina da turma, sendo que esta ainda estava na 7ª série do Fundamental (isso quer dizer, 12 ou 13 anos). Mas ainda assim...
É uma ideia boa. A elite carioca daria sim uma série interessante. Mas adolescentes são muito mais complexas que isso, e o autor simplesmente não soube aproveitar.

E sim, eu li o livro até o final para poder falar mal direito. E confesso que o último esquema da Bu (a antagonista) foi digno. A forma das meninas resolverem que não foi muito... apesar de que, se comparado com o resto, foi... interessante.

2 de fev de 2013

Livro: Garota Tempestade

Para quem ainda não sabe, consegui um estágio na editora Valentina! É muito legal e como parte do meu trabalho, acabo lendo os livros que estão sendo lançados. (Afinal, preciso fazer o marketing do produto, e é bem complicado escrever e vender uma coisa que você não conhece - e para a minha sorte, a maioria dos livros da editora são os que eu já gostaria de ler de qualquer jeito, ou seja, é um estágio muito legal!)

Mas Garota Tempestade foi o primeiro livro que ajudei a divulgar. Seu gênero é Urban Fantasy. Foi lançado agora, dia 31 de janeiro, e já deve estar nas lojas. (Então corre lá e compra!)

A protagonista da série é uma menina chamada Jane, que é meio humana meio foca. - Tá bom, concordo que achei bem estranho quando me contaram. Foca? Porque Foca? O que uma foca tem de mais? Ela vai ter o poder de nadar? Vai ser o Aquaman, né? (O super herói mais sem graça da terra) Mas quando li o livro entendi. Acredito que a autora tenha ouvido falar das lendas da Amazônia, do boto cor de rosa que engravidava as índias e talz. Mas ela não devia conhecer um boto, golfinho ia ficar mais esquisito e queria um animal feminino, já que a mãe da Jane que é a supernatural, então acabou escolhendo a foca que é um animal relativamente próximo. Entendi, e dentro do contexto da história fez sentido.
Outra coisa que achei bem legal desse livro é que a protagonista tem 26 anos. E só descobre a magia dentro de si com essa idade. (isso me dá esperança!) Ainda solta um comentário do gênero no livro:
- Vocês iam esperar eu estar idosa para contar quem era a minha mãe e minha origem?
E o ser sobrenatural que responde fala apenas:
- Você viverá muito ainda. Seres sobrenaturais não tem essa vida curta igual a humanos. Não havia necessidade de te contar até agora.
**Ou seja, tenham esperança! A magia pode aparecer! Eu ainda posso descobrir que não sou uma mera humana!!**

E como todo o livro que tem sobrenatural atualmente, o namorado de Jane é um vampiro. Mas tipo assim, a Nicole Peeler (autora) criou toda uma mitologia própria, juntando pedaços e nomes de outras mitologias, remendando e fechando ideias e no final, a parada é bem consistente. Todos os seres mágicos, inclusive os gênios das lampadas, estão reinterpretados dentro da fantasia básica da autora. Nesse primeiro livro, pelo menos, não vi grandes furos.
Mas confesso que não consegui ler o livro do jeito que eu queria. Infelizmente ainda estou em aula na faculdade e esse mês é praticamente final de semestre, ou seja, tenho que ler e fazer muita coisa. Assim, acabei me forçando a parar o livro em partes que antes eu jamais pararia, e levei mais tempo do que normalmente levaria. E para piorar, meus chefes ainda ficavam me contando spoiler, algumas vezes do 2º livro! E tive que ler prestando atenção se via algum erro...
Enfim, foi uma leitura bem diferente do normal e por isso estou falando tão pouco da história na resenha.
É bem divertido se você gosta desse gênero, mas esse primeiro livro me pareceu mesmo uma introdução. Tem muito personagem com potencial maneiro, mas nada de fato é dito. É o livro em que a Nicole nos introduziu ao mundo mágico que ela criou e acredito que no 2º que vai começar a batalha mesmo e os mistérios a serem desvendados.

**Spoiler**
Nesse primeiro livro, o poder da Jane é nadar e controlar as marés. Que poderes inúteis. Espero que ela possa fazer algo mais interessante no futuro, e algo melhor que conversar com os peixes.

Obs. Estou em contato com a Nicole Peeler no facebook. Ela é uma fofa! E ainda faremos uma entrevista com ela em fevereiro para o Facebook, blog da editora e etc.

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Obs 2. Se meus chefes deixarem, vou fazer resenha de todos os livros da editora antes do lançamento. Mas isso ainda dependo de autorização.